Direito da concorrência e sustentabilidade: perspectivas para as joint ventures ambientais
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Resumo
Contexto: a intensificação das mudanças climáticas e seus impactos sobre cadeias produtivas e mercados têm impulsionado a adoção de ações voltadas à mitigação de riscos ambientais e à promoção do desenvolvimento sustentável. Nesse cenário, o direito da concorrência passa a ser tensionado por demandas que exigem a ponderação de benefícios ambientais de longo prazo. As joint ventures ambientais emergem como instrumentos relevantes de cooperação empresarial, capazes de viabilizar projetos sustentáveis que dificilmente seriam implementados de forma isolada.
Objetivo: examinar como o direito da concorrência pode ser reinterpretado para acomodar iniciativas de cooperação empresarial voltadas à sustentabilidade, com especial atenção às joint ventures ambientais, analisando o caso brasileiro à luz de experiências estrangeiras e da Moratória da Soja.
Método: a pesquisa adota método qualitativo, com análise normativa da legislação brasileira, estudo comparado de diretrizes estrangeiras e exame de casos práticos relevantes, incluindo decisões administrativas e judiciais.
Conclusões: constatou-se que a ausência de parâmetros específicos no Brasil gera insegurança jurídica e limita a cooperação empresarial em projetos ambientais. Experiências europeias demonstram que diretrizes claras são viáveis e contribuem para equilibrar concorrência, inovação sustentável e proteção ambiental. A criação de orientações próprias pelo Cade é necessária para integrar benefícios ambientais à análise concorrencial.
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